Precisamos falar sobre o "Descarte" de Talentos Femininos: O Etarismo no Mercado de Trabalho

No mundo empresarial fala-se muito sobre inovação, retenção de talentos e diversidade. Mas existe um elefante na sala que poucos líderes ousam encarar de frente: o etarismo feminino.

Uma grande amiga, extremamente qualificada, com passagens por grandes multinacionais, comentou sentir-se "invisível" em processos seletivos porque tem mais de 45 anos. Seu  currículo é ótimo;  ela está no auge de sua capacidade laborativa e de gestão. O que mudou foi o olhar do mercado.

O Paradoxo da Experiência

É curioso (e contraditório) que o mercado valorize tanto o know-how, mas penalize quem teve tempo de acumulá-lo. Para as mulheres, o peso é dobrado. Enquanto o homem grisalho é visto como experiente e mentor, a mulher madura, muitas vezes, é vista através da lente do "obsoleto" ou do "custo elevado".

Isso não é apenas um problema social; é um erro de gestão.

Ao preterir mulheres acima dos 40 ou 50 anos, as empresas perdem:

  • Inteligência Emocional: anos de gestão de crises e mediação de conflitos que jovens talentos ainda estão desenvolvendo.
  • Mentoria Natural: a capacidade de formar as novas gerações com base em vivências reais, não apenas em teoria.
  • Representatividade de Consumo: mulheres maduras detêm uma fatia gigantesca do poder de compra global. Como uma empresa pretende vender para esse público se não o tem em seu quadro de decisão?

O Futuro é Ageless (Sem Idade)

O conceito de "carreira linear" morreu. Estamos na Era da Aprendizagem Contínua (lifelong learning). Uma mulher de 50 anos hoje pode ter mais 20 ou 30 anos de produtividade plena pela frente. Descartar esse potencial é um desperdício intelectual e financeiro.

Precisamos mudar o mindset corporativo através de:

1.    Processos Seletivos às Cegas: retirar a idade e o ano de graduação das primeiras etapas.

2.    Cultura de Inclusão Geracional: promover a permuta saudável entre a energia dos GenZ e a sabedoria das Baby Boomers/GenX.

3.    Combate ao Viés Inconsciente: com sabedoria, saber identificar quando a "falta de fit cultural" é, na verdade, apenas preconceito etário.

O envelhecimento é a única fatalidade que nos aguarda, se tivermos sorte.

Se é assim pra todos, que tipo de mercado de trabalho estamos construindo para o nosso futuro?

Ana Echevenguá. Advogada. OAB/RS 30.723. OAB/SC 17.413-A.

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