Alerta Geral: todo dia é Dia da Criança!
Alguém já
ouviu a recomendação: “cuidado pra não jogar fora a criança junto
com a água do banho”? Há séculos, quando a higiene era relegada e a
água escassa, os banhos da família eram semanais. Todos usavam a mesma bacia, a
mesma água... o bebê era o último da fila. Aí, a água estava tão suja que ele
corria o risco de sumir e ser jogado fora com a água suja.
Felizmente
os tempos mudaram. Temos água corrente em nossas casas, os hábitos de higiene
estão relacionados diretamente com a saúde... o pátrio poder (as obrigações de
sustento, guarda e educação dos filhos) é exercido igualmente pelo pai e pela
mãe. E foram criadas várias leis protetivas das crianças.
Mas algo
está errado!
Coincidência
ou não, após a morte da menina Isabella Nardoni – que foi jogada do sexto andar
de um edifício e os principais suspeitos foram seu pai e a madrasta, a mídia passou a mostrar
vários casos de acidentes com nossas crianças: elas caem de veículos, de
janelas; morrem afogadas em buracos com água; são esquecidas dentro dos
veículos de seus pais, ... Recentemente, um menino de 5 anos caiu do 26º.
andar, na Grande São Paulo, porque a mãe o deixou sozinho no apartamento.
Perceberam
que não estou falando de casos de abuso sexual, pedofilia, compra-e-venda de
crianças, adoção à brasileira... falo dos acidentes domésticos que estão
recheando a mídia.
Aparentemente,
vejo negligência dos responsáveis por estas crianças! Mas tenho dificuldade em
entender o que acontece:
- as
crianças estão hiperativas, incontroláveis? Já ouvi pais falarem que seus
filhos estão em aulas de ioga e/ou ingerem medicamentos específicos para
ficarem mais calminhos...
- os pais
estão “alienados”? Não sabem o que é certo ou errado quando o assunto é
criança? Não conseguem impor limites e regras aos seus filhos? Não conseguem
cumprir seu dever de cuidar da prole?
O renomado psiquiatra
Montserrat Martins entende que a mídia está explorando mais o tema porque o
assunto é vendável no momento. Mas “tragédias e crimes com as crianças sempre
existiram”; e que, no Juizado da Infância e da Juventude de Porto
Alegre, por exemplo, se vê de tudo.
Ele mencionou
uma regra do jornalismo que diz que "não é notícia um cachorro morder uma
pessoa:
é notícia uma pessoa morder um cachorro". E assim, talvez a mídia não
considere boa notícia o fato de “ser bom pai ou boa mãe, já que é isso que
esperamos das pessoas. A notícia é quando alguém contraria o que é esperado do
ser humano: ter o instinto de proteção aos filhos”.
Sobre
negligência, achei importante dividir com vocês o pensamento do Montserrat: “há
coisas difíceis de entender; em termos humanos mesmo, como é que pode haver
pais negligentes com os próprios filhos? Até a ciência tem dificuldade em
encontrar respostas para isso, porque mesmo a paternidade e a maternidade são
instintivas no sentido de proteção à prole. É um desafio compreendermos isso.
Mas, talvez por ser tão natural o sentimento de proteção aos filhos, é que
cause revolta ver quem não o pratica”.
Diante
dessa cruel realidade, temos que achar uma solução. Não sei se adianta aplicar
o rigorismo da lei aos pais negligentes que contribuem para a lesão ou morte
de seus filhos. Talvez a dor de presenciarem estas desgraças
represente a maior punição que poderiam experimentar...
Uma coisa é
certa: com crianças, a prevenção é fundamental. Se elas precisam de vigilância
continuada, se elas precisam de mais limites, se precisamos aprender mais sobre
elas, acharmos espaço nas nossas agendas para estarmos ao lado delas, vamos
colocar isso em prática.
Leonardo Boff fala, há tempos, sobre a urgência de
promovermos uma revolução ética na humanidade, fundamentada sobretudo no
cuidado com os seres, as pessoas e a vida.
Portanto,
comece em casa a revolução ética proposta por Boff. Cuide bem do seu filho! Ele
é uma riqueza humana insubstituível e o preço pago pela sua perda é alto
demais.
Sempre
que a mídia mostra tais acidentes com crianças, penso na dor inevitável dos
pais destas; e lembro da poesia de Chico Buarque: “saudade é
arrumar o quarto do filho que já morreu”.
Ana
Echevenguá. Terapeuta Positiva.

Comentários
Postar um comentário