Aos domingos de saudade (Ana Therra)

 

O tempo que passa

leva e traz recordações.

Mas, parece que o tempo não passa

Quando eu lembro do que vai no coração...

 

Sinto falta dos abraços, do aconchego,

dos silêncios que falavam por nós...

 

Essa saudade dói e me corrói!

Converso com meus fantasmas,

com as águas do mar, com o verde,

com as estrelas das noites sem nuvens.

 

Pra quem falar sobre isso,

em que ombro debruçar minha dor,

se vou ouvir o óbvio do qual tenho ciência,

que é melhor  ‘seguir em frente’?

 

Ah! O poeta que cantou:

“Você é a saudade que eu gosto de ter”

sabia que a saudade nos aproxima

dos nossos amores, amantes e amados...

 

“Só assim sinto você perto de mim, outra vez”

 

Enfim, as distâncias intransponíveis,

inquebrantáveis que o Universo nos impõe

fazem sangrar, tal o Muro de Berlim.

 

E eu fico aqui, nessa longa tarde de domingo,

repaginando nossa história,

olhando um passado que se foi,

esperando que, um dia, ele retorne pra mim...

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