Covid-19: não foram somente números

Com o Covid-19, surgiram os números dramáticos de um desencarne coletivo: seres humanos contagiados pelo Coronavírus e pelo vírus da ignorância.

Ingenuamente, ignoraram:

- os riscos do contato com outro ser humano,

- as precárias condições do sistema de saúde em geral,

- a importância da escolha dos nossos  governantes,

- a autofragilidade física, emocional e espiritual...

Enquanto isso, os números cresciam diariamente... Números? Dados? Estatísticas?

Não; não eram números somente... Cada um dos mortos tem nome, sobrenome, histórico familiar, currículo profissional... são mais do que números numa grande listagem oficial. Seres humanos insubstituíveis que partiram sem a possibilidade da despedida, sem as homenagens que nossa cultura nos ensinou... deixando aqui seus amores, seus bens, muita saudade...  

A lembrança dessas mortes ainda nos entristece... experimentamos um processo de luto coletivo que vai ficar impregnado na nossa memória por muito tempo, atingindo as próximas gerações...

 Segundo o psicanalista Luiz Alberto Py, não existe nada mais doloroso para nosso espírito do que o sofrimento causado pela perda de alguém que amamos”. 

Com certeza, doutor Py... e, na pandemia, esse sofrimento recrudesceu.

Já se passaram cinco anos... E ainda estamos entristecidos, enlutados,  sentindo a dor do poeta que cantou “naquela mesa ta faltando ele e a saudade dele ta doendo em mim...”.  

Mas precisamos seguir adiante, sabendo que não há fórmulas mágicas... acho que está na hora de colocarmos em prática o que aprendemos com os estudos espiritualistas.

Isso nos trará um pouco de conforto e de coragem pra suportarmos esta despedida temporária, honrando a memória dos que partiram um pouco antes de nós... 

Repito: a despedida é temporária. Um dia, haverá o abençoado e tão sonhado reencontro.

Ana Echevenguá. Terapeuta Positiva.

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