Você conhece a música "Via Láctea", do Legião
Urbana? Era uma das minhas prediletas no álbum ‘A Tempestade’.
Nessa obra, a poesia de Renato Russo é tão triste, dolorosa,
a canção é considerada uma das mais íntimas e pungentes do álbum, refletindo sua
angústia, depressão e a luta pela vida nos seus momentos finais.
‘A Tempestade’ foi lançado em 1996, mesmo ano da morte de
Renato Russo. Ele sabia de seu diagnóstico de AIDs desde 1990. Embora em seus
momentos finais neste planetinha lindo, com sua passagem de volta nas mãos,
continuava produzindo beleza com sua Arte. Morreu um ou dois meses após o lançamento do álbum.
"Via Láctea" é uma música doce, reflexiva, instrumental
e voz... Renato começa com “Quando tudo está perdido sempre existe um caminho... Mas não me diga isso...”. A gente sabe que, às
vezes, esta forma consoladora não nos serve, não conforta, não consola; especialmente,
em dias de muita dor física, moral...
E o poeta segue contando e cantando a sua realidade, de um
jeito leve e poético... seus silêncios são tão emocionantes quanto suas
palavras. É tão inspirador que, ainda hoje, sinto aquela vontade de chorar, de socorrê-lo, de abraçá-lo
agradecendo por toda a felicidade que nos trouxe com sua Arte...
Ao final, Renato agradece e se despede carinhosamente: “Mas
não me diga isso, não me dê atenção, e obrigado por pensar em mim...”.
Ele está nos nossos pensamentos. Especialmente como um
alerta significativo nesse Dezembro Vermelho, mês de prevenção das infecções
sexualmente transmissíveis.
Ana Echevenguá. Terapeuta Positiva.

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