Empréstimo quitado, mas a conta não fecha? Entenda o que é o "Saldo Residual" no Consignado

Você planejou o orçamento, pagou todas as parcelas ou pediu o boleto para quitar tudo de uma vez. Mas, na hora H, aparece um valor extra: o temido saldo residual.

Diferente do leasing de carros — onde você paga um valor no final para ficar com o veículo — no empréstimo consignado esse resíduo não deveria existir. Ele é, na verdade, uma "surpresa" desagradável que surge de erros de cálculo ou atrasos sistêmicos.

Neste post, vamos te mostrar por que isso acontece e como não cair em armadilhas bancárias.

🧐 Por que essa cobrança apareceu agora?

Existem três vilões principais que fazem o saldo residual surgir "do nada":

1.    O Juro do "Dia Seguinte" (Pro Rata): quando você pede um boleto de quitação, o valor é calculado para aquele dia exato. Se você pagar um dia depois, ou se o banco usar uma atualização diária, pode sobrar um "quebrado" de juros.

2.    O Atraso do Repasse: às vezes, a sua empresa ou o INSS desconta o valor do seu salário, mas demora uns dias para repassar ao banco. Nesse meio tempo, o banco continua cobrando juros sobre o saldo devedor, gerando a diferença.

3.    Refinanciamento ou Portabilidade: ao trocar de banco ou refinanciar, o saldo antigo precisa ser "zerado". Se o cálculo da nova operação não for milimétrico, a diferença vira um resíduo pendente.

🛠️ Guia de Defesa: como conferir se o valor é justo

Não pague nada sem antes investigar. Siga este checklist:

  • Olhe o extrato (Meu INSS ou RH): conte as parcelas. Se o contrato era de 48 meses e você já pagou 48, por que o banco quer a 49ª?
  • Peça o seu DED: o Demonstrativo de Evolução da Dívida é um direito seu. Nele, o banco é obrigado a mostrar detalhadamente o que já foi pago e o que ainda resta.
  • Exija o desconto da antecipação: se você está pagando antes da hora, o banco é obrigado por lei a abater os juros. O saldo residual não pode ser uma "multa de quitação" disfarçada.

🚨 O que fazer se o banco insistir na cobrança?

Se você sentir que está sendo passado para trás, não se cale:

1.    Questione o banco por escrito: peça o detalhamento da origem do valor.

2.    Use o Consumidor.gov.br: é o canal mais rápido e eficiente para resolver problemas com bancos sem precisar de processo.

3.    Justiça neles: se o erro for grave ou o desconto continuar indevidamente, uma ação revisional pode não só parar as cobranças, mas garantir que você receba o dinheiro de volta em dobro.

⚠️ AVISO DE OURO: Jamais aceite fazer um "novo empréstimo" para pagar um saldo residual. Isso é uma estratégia comum para prender o cliente em uma nova bola de neve de juros. Entenda a origem da dívida primeiro!

Ana Echevenguá. Advogada. OAB/RS 30.723. OAB/SC 17.413-A.

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