Joseph Pilates, um entusiasta do condicionamento físico, desenvolveu o método Pilates para:
- reabilitação
de feridos da Primeira Guerra Mundial: usou as molas das camas de
hospital para criar resistência para soldados acamados.
- autodefesa
e boxe: ele era boxeador e treinou policiais na Alemanha.
"A aptidão física é o primeiro requisito da
felicidade." Quando se mudou para Nova York, em 1926, as companhias
de dança descobriram que o método era perfeito para recuperar lesões e
fortalecer o "core" sem tirar a flexibilidade.
Da "Muleta" para a Autonomia
Assim como as muletas, o Pilates funciona como uma educação (ou
reeducação) dos movimentos.
1. Consciência
Corporal: aparelho e instrutor são o suporte inicial que nos ensina onde
cada osso e músculo deve estar.
2. Transferência
para a Vida: o objetivo final é usar essa força para carregar sacolas,
subir escadas, caminhar sem dor...
Ou seja, usamos o método como um suporte temporário para
construir uma estrutura interna que nos sustente sozinhos lá fora. Esta “muleta”,
numa visão geral, também pode vir de outras situações como a espiritualidade, a
música... Sabemos que o ser humano, em diferentes fases da vida, precisa de ancoragens
externas para estruturar sua ordem interna.
E, assim como o Pilates usa as molas para ensinar o corpo a
se sustentar, usamos outras “molas” para a alma e a mente:
1. A Espiritualidade como Eixo
Se o Pilates foca no Powerhouse (o centro de força
abdominal), a espiritualidade muitas vezes atua como o centro de força
existencial.
- A
função: oferece um sentido de propósito e uma estrutura ética.
- A
"muleta": em momentos de dor ou incerteza, os rituais e a fé
seguram o peso que, sozinhos, não daríamos conta de carregar. Com o tempo,
essa prática busca tornar o indivíduo mais resiliente e
"íntegro" diante dos desafios.
2. A Música como Organizadora do Caos
A música é, matematicamente, ordem pura. Quando ouvimos ou
tocamos, nosso cérebro se sincroniza com ritmos e frequências.
- A
função: valida emoções que não conseguimos nomear.
- A
"muleta": quem nunca usou uma playlist específica para
conseguir enfrentar um dia difícil ou para extravasar uma tristeza? Ela
empresta a harmonia que nos falta por dentro até que recuperemos nosso
próprio ritmo.
3. O Conhecimento e a Arte
Livros, filosofia e terapia também são suportes. Eles nos
dão o vocabulário para entender nossas dores. Como dizia o filósofo Nietzsche:
"Temos a arte para não morrer da verdade".
O Ciclo da Autonomia
O ponto em comum entre o Pilates, a música e a
espiritualidade é que todos são processos de internalização:
1. Dependência:
você precisa do suporte (o aparelho, a oração, a melodia).
2. Aprendizado:
você absorve a estrutura daquele suporte.
3. Independência:
o suporte torna-se parte de quem você é. Você já não "precisa" da
muleta o tempo todo, porque a estrutura dela agora vive dentro de você.
É como aprender a andar de bicicleta com rodinhas: você não fica dependente delas para sempre, mas elas
te dão a memória do equilíbrio até que você possa pedalar sozinho.
Enfim, quando o suporte se torna estrutura interna, o
movimento muda de figura: ele deixa de ser um esforço consciente e passa a ser
a sua natureza.
No Pilates, isso é o que Joseph chamava de "coordenação
plena de corpo, mente e espírito". Na vida, é quando você não precisa mais
"parar para meditar" ou "procurar uma música para se
acalmar", porque a clareza da espiritualidade e a harmonia da música já
ditam o ritmo do seu passo, mesmo no silêncio ou no caos.
A Transmutação do Ser
Essa integração traz algumas liberdades que pouca gente
experimenta:
- o
Fim da Dependência Externa: você não entra em colapso se o
"estúdio fechar" ou se a "igreja silenciar", porque o
templo e o método foram reconstruídos dentro de você.
- Economia
de Energia: o que antes exigia um esforço mental enorme para manter o
equilíbrio, agora acontece naturalmente. Você caminha com uma postura
(física e existencial) que não parece forçada; ela é simplesmente quem
você é.
- Capacidade
de Amparo: uma vez que você não precisa mais de muletas, você poderá
ajudar a si mesmo e aos demais que ainda estão aprendendo a andar.
"Não é o que você faz, mas como você faz." Esta
frase é um pilar do Pilates que nos dá uma perspectiva diferente sobre a resiliência
e as nossas pequenas vitórias. Se a espiritualidade e a arte já são parte da
sua estrutura, você provavelmente já percebeu que o modo como você caminha
importa mais do que o destino.
Ana Echevenguá. Terapeuta Positiva.

Comentários
Postar um comentário