Ensimesmar-se
Março é um mês de fronteiras invisíveis. Enquanto o
calendário avança, a natureza despede-se do brilho expansivo do verão para dar
as boas-vindas à sobriedade do outono. É o momento em que a luz se torna mais
dourada, as sombras mais longas e o convite ao ‘ensimesmar-se’ torna-se
quase irresistível.
Ensimesmar-se não é isolar-se do mundo por amargura; é um
ato de "recolhimento fértil". É o movimento de voltar-se para o próprio
centro, tal como as árvores que, nesta estação, interrompem o fluxo de seiva
para as extremidades e concentram suas energias no cerne, no que é essencial
para a sobrevivência.
A Poesia do Desapego
O outono nos ensina que, para crescer de novo, é preciso
primeiro soltar. E olhar para dentro em Março exige uma honestidade gentil com
as nossas próprias "folhas secas":
- o
que já não serve mais: ideias, hábitos ou mágoas que pesam nos galhos
da alma;
- o
silêncio necessário: assim como os dias ficam mais curtos, nossa fala
interna pode ganhar tons mais baixos e reflexivos;
- a
beleza da impermanência: aceitar que as fases de introspecção são tão
vitais quanto as de euforia.
O Mergulho Interior
Quando nos ensimesmamos, passamos a habitar nossa própria
casa com mais presença. Em vez de buscar fora o calor que o sol já não entrega
com tanta força, aprendemos a acender o fogo interno. É o tempo da leitura
pausada, do café que esfria enquanto o pensamento viaja e das perguntas que o
barulho do verão costuma abafar:
"Quem sou eu quando não estou tentando brilhar
para os outros?"
Então, Mulher Maravilhosa deste Planeta, desejo que este Março
seja o seu portal. Que o vento mais fresco do outono limpe o excesso de ruído e
permita que você se encontre no silêncio do seu próprio ser.
Afinal, só quem sabe olhar para dentro com coragem consegue
florescer com verdade quando a primavera, a seu tempo, retornar.
Ana Echevenguá. Terapeuta Positiva

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