Páscoa: Menos Ritual, Mais Presença

Muitas vezes, o período da Páscoa é associado automaticamente a tradições de privação: jejuns rigorosos ou pseudojejuns, penitências físicas ou rituais de contrição que pesam no espírito.

No entanto, se olharmos para o cerne da mensagem de Jesus, que é o centro desta celebração, percebemos que o convite é para algo muito mais profundo.

O Modelo e o Guia

Jesus não instituiu fórmulas de sofrimento; não ensinou a genuflexão como um fim em si mesma; nem o autoflagelo como caminho de purificação. O que Ele nos ofereceu foi um modelo de conduta.

Quando ele disse "Amai ao próximo como a si mesmo", Ele não estava sugerindo um dogma, mas um manual de sobrevivência e de evolução humana neste Planeta Lindo. Ser modelo e guia significa mostrar que:

  • o amor é uma ação, não um sentimento passivo. É o movimento de acolher o outro na sua diferença;
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  • a verdadeira "limpeza" é interna. Mais importante do que o que deixamos de comer na Sexta-feira Santa, é o que deixamos de falar ou como escolhemos agir em relação a quem está ao nosso lado;

  • a conexão é direta. A espiritualidade proposta por Ele é horizontal: ela passa pelo respeito, pela empatia e pela solidariedade.

Uma Páscoa de Atitudes

Se a Páscoa celebra a renovação e a vida, a melhor forma de honrá-la talvez não seja através de rituais de dor, mas através de gestos de vida.

Em vez de penitências que nos fecham em nós mesmos, que tal o exercício de olhar para o lado?

1.    O perdão como forma de tirar um peso do próprio coração.

2.    A escuta ativa como forma de caridade moderna.

3.    O cuidado com o bem-estar do outro, reconhecendo nele a mesma dignidade que desejamos para nós.

Conclusão

Nesta Sexta-feira Santa, que o silêncio sirva para reflexão, não para o peso. Que a lembrança de Jesus seja a de um Mestre que priorizou o pão repartido, a mão estendida e a coragem de amar em um mundo que, muitas vezes, prefere o julgamento.

A Páscoa acontece toda vez que o amor ao próximo deixa de ser uma frase bonita e se torna uma prática real.

Ana Echevenguá. Terapeuta Positiva.

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