A difícil arte de cozer arroz, por Ana Echevenguá

 

 

Hoje é meu dia de folga; e decidi preparar o almoço. Lembrei do meu amigo José, do seu genuíno prazer em comer e em preparar arroz... Decidi, então, cozinhar arroz. Comecei com a maior dedicação: escolha da panela, lavagem dos grãos, água, gordura, sal, alecrim...

 

Pensei com meus botões: por que será que o Zé gosta tanto de arroz? E mais: por que o arroz é um dos cereais mais consumidos no mundo? Até onde sei, o arroz branco é rico em carboidratos e nada mais.

 

Lá fui eu pra beira do fogão! Mas foi só levantar a fervura na panela e fiquei furiosa! (Mulher à beira de um ataque de nervos na beira do fogão – alguém já viu esse filme?).

 

Nessa hora, descobri o porquê de não gostar de arroz... é um dos pratos mais complexos e difíceis de fazer; derrama da panela ao cozer; faz uma sujeira danada... e, na hora de ser degustado, não tem gosto algum... lembra-me o "elemento neutro" das regras matemáticas. (Alguém lembra disso?)

 

Definitivamente, eu e o arroz não formamos uma boa dupla: queimei os dedos ao pegar a tampa da panela fumegando e espirrando água fervente, deixei-a cair no chão... quase queimo o arroz porque não fiquei atenta ao seu cozimento...

 

Será que é possível mudar isso? Será que dá pra preparar um prato simples, de forma simples e segura? Como é que – sem tragédia - a população mundial consegue colocar arroz no prato diariamente?

 

Depois que limpei o fogão e acalmei os ânimos, falei pro José... Tranquilizou-me com sua voz pausada. E, delicadamente, permitiu-me entender que fizera tudo errado. Tudo mesmo! Vejam como ele prepara o seu pratinho de arroz:

 

“Ferva bastante água, como se fosse cozinhar macarrão.

Junte sal.

Junte arroz e cozinhe por 16 minutos.

Escorra no escorredor de macarrão.

Tempere com sal, azeite ou manteiga.

É só servir. Assim não perdes o amigo, a paciência e nem o arroz”.

 

Ah! Tão simples! Tão fácil! Uma das especialidades dele  é transformar o trivial em extraordinário. Dar sabor diferenciado ao prato cotidiano. Acho que, na verdade, ele coloca amor na comida que confecciona...

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