E se a pergunta "O que você quer ser quando crescer?" não tiver nada a ver com a sua profissão?

No mundo corporativo, discutimos muito a transição do ter (cargos, salários, status) para o ser (propósito, identidade). No entanto, na prática, é muito comum que o nosso “ser” seja rapidamente engolido pelo fazer.

Transformamo-nos na soma das nossas entregas, dos e-mails respondidos e das metas batidas. Mas produção não é identidade.

O psicanalista Thomas Ogden nos traz uma provocação brilhante ao diferenciar a psicanálise epistemológica (focada em entender e explicar) da psicanálise ontológica (focada no ser e no tornar-se).

Transpondo essa ideia para a nossa vida e carreira:

🔹 O modo "Fazer": É focado no desempenho mecânico. A gente cumpre prazos, resolve problemas e atende expectativas; mas muitas vezes operando no piloto automático — desconectados da nossa própria experiência.

🔹 O modo "Ser": É a capacidade de habitar a própria pele enquanto se age. É quando a escolha profissional deixa de ser um molde rígido e passa a ser uma expressão viva de quem somos.

Quando ressignificamos "O que você quer ser quando crescer?", a pergunta deixa de ser uma escolha pontual feita na juventude. Ela se torna um questionamento diário: quem eu consigo me tornar hoje?

Se o objetivo final da vida é nos dar condições emocionais para engajar ativamente no ato de existir, fica a provocação para líderes e profissionais:

 Nossas rotinas estão nos dando espaço para ser, ou apenas exigindo que a gente faça sem cessar?

Ana Echevenguá

Advogada (OAB/RS 30.723 | OAB/SC 17.413-A) & Pós-graduanda em Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e Autorrealização.

 

 

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