📌 Múltiplos Títulos,
Nenhuma Resposta: A Busca por Validação e a Invisibilidade no Mercado
O feed do LinkedIn está repleto de comemorações por novas
certificações, selos e diplomas. No entanto, por trás de cada badge
compartilhado, esconde-se com frequência um sentimento silencioso e devastador:
a desilusão de continuar invisível para o mercado de trabalho.
Investe-se tempo, dinheiro e energia na expectativa de que o
próximo curso seja a chave mágica para o reconhecimento. Mas, quando a resposta
do mercado é o silêncio ou a desvalorização, a frustração atinge o nível mais
íntimo do profissional.
Acomodamos a crença errônea de que acumular títulos garante
valor pessoal. O mercado atual, focado em métricas frias, estimula uma corrida
armamentista de currículos que consome a saúde mental e entrega pouca
sustentabilidade emocional.
A Dor por Trás do Certificado
Sob a ótica do desenvolvimento humano e da Psicologia
Positiva, esse ciclo de busca por validação externa revela feridas profundas:
🧠 Confusão entre
Capital Cognitivo e Psicológico: Deposita-se toda a expectativa no saber
técnico (cursos e diplomas), enquanto o capital psicológico — resiliência,
autoeficácia, otimismo realista e identidade — permanece negligenciado ou
esgotado.
⚠️ A Armadilha da Validação
Externa: Quando o senso de valor próprio depende exclusivamente do olhar do
recrutador ou da aprovação da empresa, qualquer rejeição é processada pelo
sistema nervoso como uma ameaça à própria existência e capacidade.
💔 Coisificação do
Indivíduo: O profissional passa a se enxergar apenas como um portfólio de
competências a ser vendido, desconectando-se da sua trajetória real e da sua
dignidade humana além do cargo.
Titulação sem presença não constrói carreira sustentável; é
preciso resgatar o valor do indivíduo antes do rótulo.
O Resguardo do Ser
Para romper com a exaustão da busca incessante por aprovação
corporativa, a virada de chave exige novas premissas:
🔹 O modo
"Fazer": É a busca mecânica por preencher lacunas do currículo na
esperança de ser notado. Opera pela ansiedade, focando no que falta e delegando
ao mercado o poder de ditar o seu valor.
🔹 O modo
"Ser": É o reconhecimento consciente do seu repertório, da sua
história e das suas forças de caráter. A qualificação deixa de ser um escudo
contra a insegurança e passa a ser uma escolha alinhada ao seu desenvolvimento
genuíno.
O seu valor não é medido pelo número de certificações no seu
perfil, nem pela falta de resposta de um processo seletivo.
Fica a reflexão para profissionais e lideranças:
Estamos construindo carreiras baseadas no desenvolvimento
real de pessoas ou apenas alimentando a ilusão de que um novo diploma resolverá
a falta de humanização no mercado?
Ana Echevenguá
Advogada (OAB/RS 30.723 | OAB/SC 17.413-A) &
Pós-graduanda em Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e Autorrealização.
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