O tempo realmente está voando ou fomos nós que perdemos a capacidade de habitar o presente?
O filósofo Byung-Chul Han nos lembra, em seu livro Vita
Contemplativa ou sobre a Inatividade, do valor do estado contemplativo.
Quando vivemos presos às memórias do passado ou projetados nas ansiedades do
futuro, esvaziamos o único espaço onde a vida de fato acontece: o agora. A
sensação de que os dias estão escorrendo pelas mãos costuma ser o sintoma de
uma relação fragmentada com o tempo.
A cultura da hiperprodutividade nos ensinou a confundir desempenho
com experiência:
- Performar
não é vivenciar: Quando estamos o tempo todo focados em cumprir
prazos, bater metas e entregar resultados, deixamos de experimentar o
momento presente.
- O
valor da inatividade: A verdadeira essência do ser humano reside no
estar presente, sem a pressão constante da funcionalidade. A contemplação
demanda desaceleração — um privilégio raro na era da pressa.
- O
custo da distração: A impossibilidade de vivenciar o agora compromete
a nossa vitalidade simbólica. Uma existência pautada pela antecipação
alimenta a ansiedade e nos deixa reféns de um excesso de possibilidades
imaginadas.
A contemplação é o ato revolucionário de se permitir apenas
observar. Trata-se de resgatar o silêncio, fazer uma pausa e entender que nem
todo momento precisa ser útil para ter valor.
Ana Echevenguá
Advogada (OAB/RS 30.723 | OAB/SC 17.413-A) &
Pós-graduanda em Psicologia Positiva: Ciência do Bem-Estar e Autorrealização.

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