“Metade da Laranja” é uma crença limitante

 

A ideia da "metade da laranja" é um dos mitos mais romantizados — e mais limitantes — que nos ensinaram.

Se eu preciso buscar a metade de mim, estou convicta que nasci pela metade.

E é por isso que, quando falam em “metade da laranja”, eu quase entro em pânico. Somos seres inteiros, únicos, incríveis... Saímos da fase vegetal faz tempo...  Se eu acreditar que preciso da outra metade de mim, significa que não sou inteiro. Ora, eu preciso de alguém para me fazer mais feliz porque feliz eu já sou.

Reconhecer a própria inteireza muda radicalmente a forma como nos relacionamos:

  • Da necessidade para a escolha: a busca deixa de ser por preenchimento de vazios e passa a ser por sintonia. Não se procura uma resposta ou uma tábua de salvação, mas uma parceria para transbordar o que já habita em nós.

  • Preservação da individualidade: duas metades que se colam para formar um todo muitas vezes anulam suas particularidades. Já dois seres inteiros mantêm suas autonomias, suas cores e seus espaços, decidindo caminhar lado a lado.

  • Relacionamentos de expansão: o outro não vem para validar o nosso valor ou sustentar nossa felicidade. Vem para multiplicar a alegria, compartilhar a jornada e somar leveza ao dia a dia.

Amar a partir da inteireza não é autossuficiência rígida ou isolamento. É liberdade de saber que o nosso valor e a nossa felicidade já estão ancorados dentro de nós. Assim, o encontro com o outro deixa de ser um resgate para se tornar uma celebração.

Ana Echevenguá

Advogada (OAB/RS 30.723 | OAB/SC 17.413-A) & Pós-graduanda em Psicologia Positiva.

 

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